Atendimento odontológico de pacientes idosos

A expectativa de vida no Brasil e no mundo tem crescido graças aos avanços nas áreas de diagnóstico, medicina e prevenção. Em São Paulo, a expectativa de vida é de 78.1 anos, de acordo com dados do IBGE. É comum que pacientes idosos façam acompanhamento médico com diversos especialistas como cardiologistas, endocrinologistas e geriatras. Entretanto, o acompanhamento odontológico especializado nem sempre é realizado e a saúde bucal não recebe o cuidado necessário.

            É muito importante que a saúde bucal seja monitorada para garantir que os pacientes executem funções como mastigar, deglutir, falar e sorrir e, ainda, para que a estética seja mantida, garantindo assim a qualidade de vida.

Na 3ª idade, o uso de medicamentos é muito frequente e é comum que esses medicamentos causem sintomas como xerostomia (redução ou ausência do fluxo salivar). É importante dizer também que com o avanço da idade, as glândulas salivares podem sofrer alteração em sua função tendo como consequência a redução do fluxo salivar. Além disso, também pode ser notada alteração hormonal, que por sua vez também está relacionada com a xerostomia. Adicionalmente, doenças sistêmicas comuns na 3ª idade (diabetes melittus, Alzheimer, deficiência de vitamina A, má nutrição, alterações psicológicas e depressão) podem causar a xerostomia. A xerostomia, por sua vez, pode levar a maior probabilidade de ocorrência de lesões cariosas, halitose, à ardência bucal, dor nas mucosas bucais, fissuras nas mucosas bucais e maior facilidade para desenvolvimento de infecções na boca. Se o fluxo salivar é insuficiente ou ausente, preconiza-se um substitutivo salivar artificial e/ou o uso de substâncias que estimulem o fluxo salivar. Desta forma, o acompanhamento odontológico pode auxiliar o paciente idoso no tratamento desta alteração, proporcionando maior conforto e evitando outros problemas.

Na terceira idade, a periodontite (doença inflamatória crônica dos tecidos que protegem e sustentam os dentes) é frequente, podendo causar amolecimento dos dentes, mau hálito e até perda dentária. Além disso, a periodontite pode estar relacionada com dificuldade no controle glicêmico de pacientes diabéticos e também pode contribuir com o surgimento de doenças cardiovasculares por meio do aumento dos fatores inflamatórios que são comuns às duas doenças. O paciente idoso deve ser acompanhado pelo periodontista para o correto diagnóstico e tratamento de sua condição periodontal, de forma que consiga manter seus dentes, de forma funcional, evitando extrações e a necessidade de implantes dentários e próteses.

Ao longo da vida o número e tamanho das retrações gengivais também vai aumentando. Essas retrações podem ser consequência do trauma de escovação ao longo do tempo ou da perda de inserção dos dentes, consequência da periodontite. As regiões de retração estão frequentemente relacionadas com maior chance de ocorrência de lesões de cárie, com a sensibilidade ao ingerir alimentos principalmente gelados e ao escovar os dentes e com a queixa estética. Quando o paciente faz o acompanhamento odontológico adequado, o diagnóstico e tratamento desses defeitos torna-se possível e, consequentemente, há redução no desconforto e prevenção do aumento das retrações existentes, bem como do surgimento de novas lesões.

Pacientes idosos muitas vezes já apresentam um ou mais dentes perdidos. Esses pacientes podem receber o tratamento de implantes e próteses sobre implantes, fazendo um planejamento cirúrgico e protético adequando. Além da avaliação local do volume de osso para colocação do implante, é necessário avaliar a condição sistêmica do paciente, verificar os medicamentos em uso, evitando qualquer complicação ou interação medicamentosa com os anestésicos e medicamentos utilizados. Essa abordagem devolve as funções mastigatória, fonética e estética para o paciente, além de favorecer a nutrição do paciente, garantindo assim melhor saúde e qualidade de vida.

A avaliação das próteses, bem como a substituição de próteses inadequadas também é um fator muito importante. Próteses inadequadas podem contribuir para o surgimento de lesões traumáticas nas mucosas bucais, que por sua vez, podem sofrer o processo de modificação celular ao longo do tempo, tornando-se lesões cancerosas. Próteses funcionais garantem ainda melhora na mastigação, fala e estética.

Pacientes idosos podem apresentar uma queda na imunidade, tornando-se mais propensos à infeções como candidoses (sapinho), glossite (infecção da lingua pelo fungo candida albicans) e queilite angular (ferida dolorosa no canto da boca). O idoso e/ou sua família devem estar sempre atentos e sempre que observada a presença de alguma dessas alterações, de forma a trata-las adequadamente, evitando maior desconforto ou até o acometimento sistêmico, uma vez que esses agentes infecciosos são patógenos oportunistas e podem se estender para os órgãos internos.

Na terceira idade ainda pode-se observar a presença de lesões nas mucosas e dentre elas, lesões cancerizáveis. Muitas dessas lesões estão relacionadas à ingestão de álcool e à exposição ao sol. Desta forma, o uso excessivo de álcool deve ser evitado e protetores solares e labiais devem sempre ser utilizados.

A síndrome da ardência bucal é uma patologia de difícil diagnóstico e tratamento e uma queixa muito frequente nessa faixa etária. A Síndrome da Ardência Bucal (SAB) é uma condição caracterizada pela sensação de queimação da mucosa bucal, sem que uma causa física possa ser detectada. Afeta principalmente mulheres na pós-menopausa, com mais de 50 anos. Diversos fatores são apontados como possíveis desencadeadores desta patologia, e muito se discute sobre a importância de fatores como ansiedade e depressão, na sua etiologia. Algumas vezes, os exames apontam doença sistêmica, hipofunção das glândulas salivares ou candidíase bucal. Outras vezes, observa-se alergia e hábitos parafuncionais. Entretanto, a maioria dos casos, não apresenta cauda detectável. O tratamento da SAB varia de acordo com a causa orgânica presente. Para os casos sem causa detectável, o tratamento é paliativo e muitas vezes os pacientes ficam extremamente chateados com o fato de os profissionais de saúde não terem respostas plausíveis para seu problema ou um tratamento definitivo. No entanto, é importante que o cirurgião-dentista avalie o caso de forma a tratar ou pelo menos minimizar o desconforto.

Muitas vezes, os idosos tem sua coordenação motora diminuída como consequência de doenças articulares, neurológicas ou ainda pela perda do tônus muscular. Sendo assim, meios alternativos, como as escovas elétricas podem facilitar e melhorar a higiene. Dependendo da situação, o cirurgião dentista poderá aconselhar que a higienização seja feita por algum membro da família ou pelo cuidador do idoso. Essas abordagens auxiliam na melhora da saúde bucal, na redução da halitose e na diminuição de infecções secundárias.

Tendo em vista todas as necessidades e alterações acima discutidas, faz-se necessário um acompanhamento odontológico especializado e humanizado dos indivíduos na terceira idade. Esse tratamento direcionado pode evitar muitas doenças, melhorar a qualidade de vida por meio da melhora na função mastigatória, na fala e na nutrição. O Portal do Sorriso conta com uma equipe especializada, englobando periodontia, implantodontia, prótese, cirurgia, dentistica e fonoaudiologia que tem como objetivo realizar tratamentos de excelência com foco nas necessidades e fragilidades de cada paciente.

Dra Mônica Grazieli Correa

CROSP:90.064

Especialista, Mestre e Doutora em periodontia pela UNICAMP

2018-09-20T09:03:17+00:00

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